De acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério liderado por Jorge Moreira da Silva, o objectivo do novo regime é criar "as condições económicas para que os consumidores se tornem produtores descentralizados de energia".
Assim, as novas regras deixam de obrigar quem produz electricidade a vendê-la toda à rede, permitindo que essa energia seja utilizada para consumo próprio, e por outro lado incentivam a instalação de produções próprias, "em especial fotovoltaicas, dimensionadas para o perfil de consumo da instalação", especifica a informação do MAOTE.
O novo regime, que foi publicado em Diário da República no passado dia 20 de Outubro, estabelece que há isenção de controlo prévio no caso das instalações mais pequenas, com potência de ligação inferior a 200W, enquanto nas instalações com potência instalada de 200W a 1,5kW é necessário apenas fazer uma comunicação prévia à Direcção Geral de Energia e Geologia, desde que o consumidor não pretenda injectar energia na rede pelo preço do mercado grossista.
Em causa está a possibilidade de instalação de até seis painéis fotovoltaicos sem necessidade de obter licenças ou de qualquer custo adicional, indicou à Lusa o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, na data em que o diploma foi publicado.
Já quem optar por mais de seis painéis fotovoltaicos (até 1 MW de potência), terá de fazer registo prévio da instalação e aguardar por uma vistoria técnica. Acima desse nível de potência, torna-se necessária uma licença de produção, explicou também o governante.
De acordo com o comunicado divulgado hoje, "com esta opção, consegue-se um equilíbrio entre a simplificação administrativa e uma monitorização do desenvolvimento do autoconsumo", enquanto os pequenos consumos serão contabilizados no âmbito das metas portuguesas para o consumo de energia renovável.
Caso haja excesso de produção face ao consumo de electricidade, os produtores poderão ainda vender essa quantidade à rede pelo preço praticado no mercado grossista, "evitando-se onerar outros consumidores", indica também o texto.
O diploma que entra hoje em vigor passa a reunir os três regimes de produção descentralizada de electricidade, incluindo além do autoconsumo a micro e a miniprodução. No entanto, no que respeita à micro e à miniprodução, "o Governo optou por não quebrar as expectativas destes produtores, mantendo o regime remuneratório vigente até que terminem os prazos estabelecidos", adianta o comunicado.
De acordo com o MAOTE, os custos da tecnologia fotovoltaica permitem actualmente que o preço da produção em pequena escala, através de energias renováveis, seja competitivo quando comparado com os custos da compra a um produtor.
A expectativa do Governo é de que o novo regime conduza à implementação de até 300MW de potência instalada até 2030, estando dependente de "muitas condicionantes exógenas ao sistema eléctrico", disse o secretário de Estado da Energia em Outubro passado, acrescentando que tudo "vai depender do dinamismo das empresas que tratam destas matérias bem como do estado da economia e da capacidade de financiamento".